Ex-ministro diz que acordo entre Mercosul e UE não é de livre comércio, mas de cotas

O ex-ministro da Agricultura Antônio Cabrera avalia que o início da vigência do acordo Mercosul–União Europeia representa um avanço formal, mas com efeitos limitados para o agro brasileiro.
“O problema é que na reta final a Europa colocou uma série de salvaguardas que não estavam no acordo original. O Brasil tem todo o direito de recusar depois [o acordo], se quiser, via Congresso Nacional. E essa salvaguarda são cotas. Então, na realidade, ele não ficou um acordo comercial ou de livre comércio, mas sim um acordo de cotas, e as cotas elas são muito pequenas”, avalia.
Segundo Cabrera, a depender do produto, o Brasil só poderá exportar com tarifa zerada apenas entre 1% e 3% do que produz. “Então, não crie uma falsa expectativa que o cenário vai mudar, que os preços vão ser alterados. É um acordo, mas longe daquilo que a gente imaginaria que fosse”, diz.
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A tão aguardada assinatura do tratado entre Mercosul e União Europeia aconteceu no último sábado (17), em Assunção, no Paraguai. O tratado prevê a redução de tarifas e a facilitação de investimentos entre os dois blocos que, juntos, possuem um Produto Interno Bruto superior a US$ 22 trilhões e uma população de, aproximadamente, 720 milhões de pessoas.
Em nota, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) destacou que a União Europeia eliminará tarifas para 92% das exportações do Mercosul, no valor aproximado de US$ 61 bilhões. “Além disso, concederá acesso preferencial para outros 7,5%, equivalente a US$ 4,7 bilhões, beneficiando assim quase a totalidade das exportações do bloco para a UE.”
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) também divulgou nota, estimando que o acordo mais do que quadruplica o acesso brasileiro ao comércio mundial, ou seja, dos atuais 8% para 36%.
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