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Clima, logística e safra recorde moldam o rumo da soja no Brasil: o que esperar?


Foto: Aprosoja MT

A semana da soja foi marcada pela variação do clima e seus efeitos distintos sobre as lavouras de soja no país. Segundo a plataforma Grão Direto, no Rio Grande do Sul, as chuvas associadas ao ciclone contribuíram para recuperar lavouras tardias e reduzir riscos de quebra de produtividade. Já no Centro-Oeste, o excesso de umidade tem gerado preocupação com a qualidade dos grãos e provocado atrasos na colheita, o que ajuda a sustentar prêmios no curto prazo.

Mercado internacional

No cenário internacional, o mercado acompanhou mais uma atualização do relatório de Oferta e Demanda do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), além da pressão sazonal típica do início da colheita no Brasil. Na Bolsa de Chicago (CBOT), o contrato de março de 2026 encerrou a sexta-feira, 16, a US$ 10,56 por bushel, registrando uma leve queda de 0,66%.

As expectativas de uma safra brasileira recorde, estimada pelo USDA em 178 milhões de toneladas, funcionaram como um teto para os preços, limitando qualquer movimento mais consistente de alta, mesmo diante de demanda internacional ativa.

Mercado brasileiro

No mercado físico brasileiro, os preços reagiram de forma pontual, fortemente influenciados pela logística. A revisão para cima das exportações de janeiro pela Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec-), que passou a projetar 3,73 milhões de toneladas, aumento de 55% em relação à estimativa anterior, aqueceu a demanda nos portos e reforçou a importância do escoamento neste momento.

A combinação entre a leve retração em Chicago e a estabilidade do câmbio em torno de R$ 5,40 gerou comportamentos distintos nos prêmios portuários. O Índice Soja FOB Santos registrou queda de 2,52%, encerrando a semana a R$ 130,10. Por outro lado, o Índice Soja FOB Rio Grande mostrou maior resiliência, recuando 1,28% e fechando o período a R$ 130,90.

Para a próxima semana, a atenção do mercado estará totalmente voltada para o ritmo da colheita e para a logística. A continuidade das chuvas em Mato Grosso e Goiás pode gerar gargalos no transporte e no carregamento dos grãos. Caso navios em Santos e Paranaguá enfrentem filas por causa das condições climáticas, o risco de demurrage, multa por atraso que tende a pressionar os prêmios pagos ao produtor.

Em contrapartida, eventual falta de produto disponível nos portos pode levar compradores a oferecer preços mais agressivos para entregas imediatas.

O sistema portuário brasileiro entra em um momento crítico, já que a aceleração das exportações de soja coincide com a transição operacional do milho para a soja nos principais terminais de Santos e Paranaguá. Esse movimento pode intensificar os gargalos já existentes e elevar a sensibilidade do mercado a qualquer interrupção no fluxo de embarques.

No front internacional, o comportamento da demanda chinesa segue no radar. O mercado observa se haverá manutenção das compras diárias de soja dos Estados Unidos ou redirecionamento mais intenso para o Brasil. Rumores de que a China estaria antecipando aquisições para formar estoques estratégicos, em meio a possíveis tensões comerciais, adicionam volatilidade às cotações em Chicago.

No campo doméstico, o foco recai sobre a confirmação das produtividades, especialmente em Mato Grosso. Os primeiros relatos apontam médias superiores a 60 sacas por hectare, reforçando a perspectiva de safra cheia. Ainda assim, produtores e traders acompanham com cautela o avanço da colheita para áreas plantadas mais tarde, já que qualquer frustração significativa na produtividade real poderia ser o principal fator capaz de dar sustentação mais firme aos preços da soja em reais neste momento.

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