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A complexidade do mercado de fertilizantes em 2026: o que esperar?


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Nitrato de amônio. Foto: Pixabay

O mercado global de fertilizantes iniciou o ano de 2026 sob um ambiente de complexidade, marcado por restrições de oferta, matérias-primas caras e geopolítica instável.

A China, gigante produtora e fornecedora, está mantendo as cotas de exportação, limitando a disponibilidade de fosfatados e nitrogenados, o que contribui para a manutenção de altos patamares nos preços internacionais.

Por outro lado, a Índia, segunda maior importadora (perdendo apenas para o Brasil), tem sua demanda aquecida por uma agricultura em pleno desenvolvimento e subsidiada pelo governo. No mercado de potássio, por sua vez, o KCl apresenta uma oferta ajustada, com parte relevante da produção comprometida em contratos de longo prazo com a China, com menor flexibilidade de negociação com outros mercados, sustentando preços.

Adiciona-se a isso o fator enxofre: a matéria-prima fundamental para a produção de fertilizantes fosfatados opera em cotações recordes, elevando significativamente o custo de produção para a indústria, resultando, inclusive, na paralisação da produção da Mosaic no Brasil.

Paralelamente, a geopolítica permanece como vetor de volatilidade. A incerteza relacionada ao Irã, importante player fornecedor de gás natural e produtor de ureia, tem sido responsável por elevações nos preços dos nitrogenados diante do risco de interrupções e limitações na oferta.

Mercado brasileiro: desafios e estratégias

No Brasil, o ano de 2025 foi marcado por recorde de importações de fertilizantes, o que, apesar de parecer contraditório, refletiu justamente os preços elevados: a substituição das fontes de alta concentração, como o MAP e a ureia, por supersimples e sulfato de amônio foi fundamental para o aumento de volumes.

As formulações com menor teor de nutrientes estavam (e continuam) mais vantajosas quanto ao custo/benefício, tornando-se alternativas para mitigar o impacto no custo de produção sem perder produtividade agrícola.

Entretanto, os custos de produção da safra 2026/27 já são uma preocupação real. Enquanto a colheita avança, os agricultores lidam com os grãos desvalorizados pelo superávit de oferta, e veem seu poder de compra diminuir.

As relações de troca com os insumos estão deterioradas, dificultando o fechamento de negócios. Além disso, os juros elevados e as dificuldades de acesso ao crédito limitam a capacidade de antecipação, o que tem levado ao postergamento das aquisições e baixa liquidez no mercado interno de fertilizantes.

Neste contexto, as compras não avançam e não há perspectivas de que os preços dos fertilizantes tenham recuos importantes diante de todos os fatores globais, riscos começam a se desenhar para o segundo semestre, em que um possível represamento de demanda adicione gargalos de disponibilidade e logística em períodos críticos.

Frente ao cenário descrito, torna-se fundamental monitorar oportunidades pontuais de câmbio e de relação de troca. O dólar mais baixo tem sido um atenuante para os preços em reais. Capturar qualquer momento favorável será decisivo. Para isso, o planejamento e acompanhamento constante do mercado fazem-se ferramentas fundamentais na gestão de risco para conseguir preservar a rentabilidade na realidade de cada negócio.

*Maísa Romanello é engenheira agrônoma, especialista em fertilizantes da consultoria Safras & Mercado


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