Mercado espera Selic em 15% e sinal do Banco Central para corte de juros em março

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central se reúne nesta quarta-feira (28) para definir o futuro da taxa básica de juros da economia brasileira, a Selic, válida para os próximos 45 dias. A decisão será anunciada a partir das 18h30.
A avaliação do mercado é praticamente unânime de que a Selic será mantida em 15% ao ano. As atenções, no entanto, estarão concentradas no comunicado do Copom, que pode trazer sinais sobre os próximos passos da política monetária, especialmente em relação ao início do ciclo de cortes.
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A expectativa predominante é de que o Banco Central indique de forma mais clara que a flexibilização dos juros pode começar na reunião de março.
Segundo a pesquisa Focus, divulgada na segunda-feira, as instituições financeiras mantiveram em 12,25% a projeção para a Selic ao final de 2026.
Em boletim, a SulAmérica Investimentos avalia que os dados recentes seguem apontando para um cenário alinhado ao cenário-base do Banco Central, com desaceleração gradual da atividade econômica e da inflação. Ainda assim, o mercado de trabalho permanece como ponto de atenção. A taxa de desemprego em mínimas históricas segue representando um risco para a trajetória prospectiva da desinflação, especialmente no setor de serviços.
A instituição reforça a expectativa de manutenção da Selic em 15% nesta reunião e avalia que a ausência de sinalizações mais claras por parte do Banco Central sustenta a visão de que o ciclo de cortes não terá início já em janeiro. No campo da comunicação, a leitura é de que o Copom pode avançar alguns passos, sinalizando de forma implícita que, sob o cenário-base, o início da flexibilização ocorreria em março.
O Itaú também revisou suas projeções e deslocou a expectativa do primeiro corte de 25 pontos-base da reunião de janeiro para março. Segundo o banco, o adiamento reflete a busca do comitê por maior confiança no processo de desinflação, em um ambiente de mercado de trabalho ainda resiliente, além da preocupação com a precificação de mercado inconsistente com um corte imediato.
O Itaú destaca ainda que um início de ciclo menos conservador poderia comprometer parte do ganho recente de credibilidade do Banco Central, evidenciado pela melhora das projeções de longo prazo da pesquisa Focus. As vacâncias no comitê também podem contribuir para uma postura mais cautelosa.
Para a instituição, o Copom deve promover ajustes pontuais na comunicação, reforçando que a estratégia atual tem se mostrado adequada, substituindo o tom de vigilância por uma prescrição de paciência e serenidade, e abrindo espaço para avaliar os próximos passos e o grau de restrição da política monetária.
Na avaliação da XP, a maioria dos indicadores relevantes para a decisão do Copom permaneceu praticamente inalterada em relação à reunião de dezembro. Com isso, o banco entende que o comitê não está mais ou menos confiante quanto à convergência da inflação à meta de 3,0%.
A XP projeta que a estimativa do Copom para a inflação no terceiro trimestre de 2027 recue de 3,2% para 3,1%, refletindo principalmente a melhora das expectativas inflacionárias.
Segundo a casa, o Banco Central deve manter a Selic em 15% nesta semana e deixar mais clara, em sua comunicação oficial, a possibilidade de iniciar um ciclo de cortes em março. A projeção é de cinco reduções consecutivas de 0,50 ponto percentual, levando a Selic para 12,50%, com uma pausa para reavaliação no segundo semestre.
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