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Exportações de carne bovina cresceram 20,7% em 2025, segundo Abrafrigo


carne bovina - autoembargo
Foto: Abiec

O Brasil encerrou 2025 com o maior desempenho de sua história nas exportações de carne bovina, considerando carnes in natura, industrializadas, miudezas comestíveis e outros subprodutos da cadeia produtiva.

De acordo com dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), compilados pela Associação Brasileira dos Frigoríficos (Abrafrigo), os embarques somaram 3,853 milhões de toneladas, alta de 20,7% em relação a 2024. A receita avançou quase 40%, alcançando US$ 18,365 bilhões.

Carne bovina ganha novo patamar no comércio exterior

Segundo a Abrafrigo, o desempenho vai além de um recorde pontual e sinaliza uma mudança estrutural no setor. A carne bovina brasileira deixou de ser vista apenas como uma commodity baseada em volume e passou a se afirmar como importante geradora de divisas, atendendo mercados cada vez mais exigentes e sofisticados.

Em 2025, a carne bovina foi o segundo produto mais importante da pauta de exportações agropecuárias e o quarto da pauta geral do país, ficando atrás apenas de petróleo, soja e minério de ferro.

Alta de volume e preços impulsiona faturamento

O avanço expressivo do faturamento reflete a combinação de aumento consistente de volume com valorização dos preços médios ao longo do ano. A carne bovina in natura, que respondeu por cerca de 90% das exportações do setor, registrou crescimento de 42,3% em valor, totalizando US$ 16,59 bilhões. O volume embarcado chegou a 3,083 milhões de toneladas, alta de 21,12%.

Ao longo de 2025, o setor acumulou sucessivos recordes mensais, indicando demanda firme e maior capacidade do Brasil de capturar valor em um mercado global marcado por incertezas geopolíticas e econômicas.

China segue como principal destino

No total, o Brasil exportou carne bovina para 177 destinos, reforçando a estratégia de diversificação de mercados. Ainda assim, a dependência de grandes compradores permanece elevada.

A China respondeu por 48,2% das exportações do setor, com receita de US$ 8,845 bilhões, crescimento de 47,75% frente a 2024. Considerando apenas a carne bovina in natura, a participação chinesa sobe para 53,3% da receita e 53,5% do volume embarcado.

Os dez principais destinos concentraram 83,8% das receitas, evidenciando alto grau de concentração das vendas externas.

Estados Unidos e União Europeia

Os Estados Unidos foram o segundo maior destino da carne bovina brasileira, com 11,24% de participação e receita de US$ 2,064 bilhões, alta de 25,9% em relação a 2024. O crescimento ocorreu apesar das tarifas adicionais impostas pelo governo norte-americano entre agosto e outubro de 2025.

Para 2026, a expectativa é de manutenção do crescimento das vendas ao mercado norte-americano, diante do déficit de produção e dos preços elevados da carne bovina no país.

Outro destaque foi a União Europeia, onde as exportações cresceram 76,5% em valor, alcançando US$ 1,049 bilhão, e 57% em volume, com 128 mil toneladas. Apenas as vendas de carne bovina in natura para o bloco europeu avançaram 89%, somando US$ 906,9 milhões, com preço médio de US$ 8.439 por tonelada.

A assinatura do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia abre uma janela de oportunidades para ampliar o acesso ao mercado europeu. No entanto, a Abrafrigo alerta para as limitações impostas por regras de salvaguardas adotadas pelo bloco, que podem restringir parte dos ganhos comerciais.

Desafios

Após dois anos de crescimento acelerado, o setor entra em uma fase de consolidação. Segundo a Abrafrigo, a estratégia passa pela abertura e avanço gradual em mercados tecnicamente mais complexos, como Japão e Coreia do Sul, além da efetiva consolidação do Vietnã, que abriu o mercado em 2025, mas ainda não habilitou a maior parte dos frigoríficos brasileiros.

A entidade destaca que a viabilização de novos mercados será fundamental para manter o protagonismo da carne bovina brasileira no cenário global. O ano de 2026 tende a ser desafiador, marcado por disputas geopolíticas, riscos de novas guerras comerciais e medidas de salvaguardas, como as impostas pela China, que limitam as importações brasileiras livres da tarifa extraquota de 55% a 1,1 milhão de toneladas.

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