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Sustentabilidade vira questão de sobrevivência no agro


fazenda grupo heineken

Quem acompanha o agronegócio brasileiro no dia a dia vê um fato incontestável: os recordes de exportação e a abertura contínua de novos mercados não são obra do acaso. Eles refletem uma base produtiva sólida, construída sobre tecnologia, escala e, cada vez mais, sustentabilidade.

O mundo está comprando mais do Brasil porque o país aprendeu a produzir comida em grande volume com responsabilidade ambiental, e vem se aperfeiçoando nisso ano após ano. Em um mercado global mais exigente, essa combinação deixou de ser diferencial e passou a ser condição.

Durante muito tempo, preservar e produzir foram tratados como escolhas opostas. Essa discussão ficou para trás. Hoje, sustentabilidade não é discurso: é a base da competitividade do agro brasileiro. Não é ideologia. É a sobrevivência econômica.

Essa virada não nasceu apenas da consciência ambiental, mas do pragmatismo financeiro. Crédito, seguro e investimento passaram a exigir comprovação. O produtor que ainda enxerga reserva legal, APP ou regularização ambiental como “custo” está, na prática, encarecendo o próprio negócio.

O “Brasil real” do agro é o que entende que rastreabilidade não é burocracia: é proteção. Se não formos capazes de provar, com dados claros e auditáveis, como produzimos, mercados simplesmente se fecham. A tecnologia entra no campo não apenas para aumentar produtividade, mas para garantir que essa produção tenha passaporte para circular pelo mundo.

Produzir bem já não basta. É preciso provar como se produz. Ainda existe a ideia de que sustentabilidade reduz eficiência. A experiência no campo mostra exatamente o contrário. Agricultura de precisão, monitoramento remoto, integração lavoura-pecuária-floresta e gestão digital reduzem desperdício, melhoram controle e protegem margem.

Quem adota essas ferramentas sente menos os impactos do clima extremo, do crédito caro e da volatilidade de preços. Sustentabilidade virou estratégia de gestão, não um adereço ambiental.

Esse movimento aparece com força também na agricultura regenerativa. Cada vez mais, o produtor brasileiro reduz a dependência de insumos químicos caros e importados e avança no uso de soluções biológicas. Bioinsumos, microrganismos e manejo inteligente do solo diminuem custos e aumentam a resiliência da produção. Menos química, mais biologia. Menos risco, mais eficiência.

O agro brasileiro não está sendo empurrado para a sustentabilidade. Ele está sendo puxado pelo mercado. Quem entende isso amplia acesso a crédito, protege sua produção e abre portas lá fora. Quem resiste fica mais caro, mais exposto e mais vulnerável.

A nova fronteira do agronegócio não é apenas produzir mais. É produzir certo, e provar. Hoje, sustentabilidade não é custo. É ativo. E, cada vez mais, o ativo que sustenta o futuro da agropecuária brasileira.

Para quem, como eu, acompanha o agro brasileiro há décadas , ver esse momento é motivo de orgulho. Nada disso aconteceu por acaso. É fruto de decisões difíceis, investimento em tecnologia e adaptação às exigências do mundo. Ao produtor que fez esse caminho, o resultado está aí: mais mercados, mais reconhecimento e mais valor. O agro brasileiro chegou longe, e chegou preparado.

Miguel Daoud

*Miguel Daoud é comentarista de Economia e Política do Canal Rural


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