China importa menos carne em 2025, mas Brasil amplia vendas ao país

A China importou menos carne bovina em 2025 na comparação com o ano anterior, mas, na contramão desse movimento, o Brasil ampliou os embarques para o país asiático. Para 2026, no entanto, a avaliação do mercado é de que o ritmo de importações chinesas deve desacelerar ainda mais, em função da adoção de cotas para a carne bovina.
Dados da China mostram que o país asiático importou 6,09 milhões de toneladas de carnes entre janeiro e dezembro de 2025, volume 8,7% inferior ao registrado em 2024. Apenas em dezembro, as compras somaram 420 mil toneladas, queda de 7,69% em relação a novembro, segundo informações da Administração Geral de Alfândegas, compiladas pela Safras News.
Apesar da retração no total importado pela China, o Brasil avançou de forma significativa nas vendas ao país. Principal destino da carne bovina brasileira em 2025, o mercado chinês respondeu por 48% do volume total exportado pelo Brasil, com 1,68 milhão de toneladas. A receita gerada chegou a US$ 8,90 bilhões.
Na comparação com 2024, os embarques brasileiros para a China cresceram 22,8%. O desempenho reforça a posição do país como maior fornecedor do mercado chinês, mesmo em um cenário de menor demanda total por carnes. Outros destinos também registraram avanço nas compras da proteína brasileira ao longo do ano.
Cotas devem limitar crescimento em 2026
Para 2026, a perspectiva é menos favorável para as exportações brasileiras de carne bovina à China. De acordo com Fernando Iglesias, analista da Safras & Mercado, a adoção de cotas pelo governo chinês tende a reduzir os embarques em relação a 2025.
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Segundo ele, o Brasil deve enfrentar, ao mesmo tempo, uma menor atratividade externa e uma maior disponibilidade de carne no mercado interno. “Os embarques brasileiros devem cair em relação a 2025, com impacto direto sobre o fluxo de exportações”, avalia.
Conforme a Abiec, a China estabeleceu uma cota crescente para as importações de carne bovina ao longo dos próximos três anos. No primeiro ano, o limite é de 1,106 milhão de toneladas. Os volumes dentro da cota pagam tarifa de 12%, enquanto as cargas que ultrapassarem esse teto estarão sujeitas a uma sobretaxa de 55%, elevando a tarifa total para 67% fora da cota.
Mesmo com a nova regra, o Brasil deve seguir como principal fornecedor da China em 2026. A estimativa é de que o país asiático importe cerca de 2,7 milhões de toneladas no próximo ano, com o produto brasileiro mantendo a maior fatia desse volume. Ainda assim, analistas alertam que o sistema de cotas abre um precedente preocupante e tende a limitar novas expansões das exportações brasileiras para o mercado chinês.
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