Tecnologia permite cultivo ecológico da pimenta-do-reino e reduz impactos ambientais

Uma nova tecnologia de manejo vem transformando o cultivo da pimenta-do-reino, uma das especiarias mais consumidas do mundo e uma das commodities mais relevantes do agro brasileiro.
O Brasil é o segundo maior produtor global, com o Pará concentrando mais da metade da produção nacional, e agora aposta em um sistema mais sustentável para garantir competitividade no mercado internacional.
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Historicamente, o cultivo da pimenta-do-reino dependia do uso de mourões de madeira, principalmente da árvore acapu, utilizada como tutor para as plantas. Além do alto custo de reposição, o método gerava impactos ambientais e entrou em conflito com a legislação, que hoje proíbe o desmatamento da espécie.
Para enfrentar esses desafios, pesquisadores desenvolveram o sistema de cultivo da pimenteira-do-reino em gliricídia, uma planta que substitui as estacas de madeira nativa.
“A gllericídio uma planta bem adaptada fornece uma autossuficiência ao produtor rural onde ele poder ter as suas próprias estacas”, explica o diretor Fuchs Gruppe, André Kich.
A tecnologia, hoje em fase de consolidação, permite que o produtor implante a lavoura sem a necessidade de derrubar árvores da floresta.
“Hoje os produtores não precisam cortar uma árvore da floresta nativa para plantar pimeteira do reino”, destaca Oriel Lemos.
Ganhos ambientais e econômicos
A gliricídia contribui para o sequestro de carbono, fixa nitrogênio do ar e melhora as condições do solo. Como resultado, a pimenta produzida apresenta melhor aroma, sabor e pungência, além de maior longevidade da lavoura e aumento da produtividade.
“Ela tem mais longevidade e o produtor tem maior produtividade. maior produtividade, maior qualidade e significa mais dinheiro no bolso entrando no produtor”, diz Lemos.
Enquanto uma estaca de acapu pode custar entre R$ 25 e R$ 35, a estaca de gliricídia varia de R$ 3 a R$ 5. Considerando um plantio médio de até 2 mil plantas por hectare, a economia na implantação pode chegar a R$ 50 mil a R$ 60 mil por hectare.
A adoção do manejo evita a emissão de cerca de 57 toneladas de CO₂ por hectare, ao manter as árvores nativas em pé. Considerando que o Pará possui aproximadamente 17 mil hectares de pimenta-do-reino, a estimativa é de que o sistema possa evitar quase 1 milhão de toneladas de CO₂.
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