Por que o Paraná lidera registros de ferrugem asiática na safra 25/26?

A safra de soja 2025/26 já soma 156 registros de ferrugem-asiática no Brasil, de acordo com dados do Consórcio Antiferrugem. O Paraná concentra a maior parte das ocorrências, com 94 ocorrências. Também há registros no Rio Grande do Sul, São Paulo, Santa Catarina e Minas Gerais.
Na comparação com o mesmo período da safra anterior, o número de casos no Paraná mais que dobrou, o que chama a atenção do setor. Ainda assim, especialistas destacam que esse avanço não indica falha no controle da doença, mas reflete condições específicas da região e um sistema de monitoramento mais eficiente.
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Segundo a pesquisadora da Embrapa Soja, Cláudia Godoy, a maior incidência de registros no Sul está relacionada, principalmente, a fatores climáticos e agronômicos. Invernos mais úmidos favorecem a sobrevivência da soja voluntária, plantas que emergem espontaneamente após a colheita e que funcionam como ponte verde para a manutenção do fungo causador da ferrugem-asiática.
Mesmo com a vigência do vazio sanitário, período em que o cultivo da soja é proibido, ainda há presença dessas plantas voluntárias no Sul, inclusive em áreas ocupadas por outras culturas. Esse cenário contribui para a continuidade do ciclo da doença entre uma safra e outra.
Outro ponto importante é a janela de semeadura. No Paraná, o plantio pode começar já no início de setembro, o que antecipa o desenvolvimento das lavouras e, consequentemente, o aparecimento da ferrugem, sobretudo quando há proximidade com áreas já contaminadas.
Além disso, o modelo de monitoramento também pesa nos números. As notificações do Consórcio Antiferrugem são feitas por município, e estados com maior número de cidades, forte atuação de cooperativas e ampla assistência técnica, como o Paraná, tendem a registrar mais ocorrências.
No Centro-Oeste, o cenário é distinto. Com a colheita mais próxima, muitas lavouras conseguem escapar do período mais crítico da ferrugem, reduzindo o impacto econômico da doença. Nessas regiões, outras enfermidades, como a mancha-alvo, passam a ter maior relevância no manejo fitossanitário.
Orientações ao produtor
Orientações ao produtor
Com o avanço da resistência do fungo causador da ferrugem-asiática aos fungicidas, cresce a necessidade do uso de produtos multissítios em associação. Esses fungicidas atuam em múltiplos pontos do metabolismo do fungo, reduzindo o risco de desenvolvimento de resistência. “Essa estratégia é fundamental para aumentar a eficiência do controle e prolongar a vida útil dos fungicidas disponíveis”, afirma Cláudia Godoy.
Os produtores podem acompanhar os dados atualizados por meio do aplicativo do Consórcio Antiferrugem, disponível para Google Play e Apple Store. A eficiência dos fungicidas pode ser consultada no aplicativo Classificação de eficácia de fungicidas químicos e biológicos: módulo soja, disponível no site da Rede de Fitossanidade Tropical (RFT), com informações baseadas em ensaios cooperativos de quatro safras.
Já a publicação Eficiência de fungicidas para o controle da ferrugem-asiática da soja na safra 2024/25 reúne resultados sumarizados de ensaios cooperativos e traz informações atualizadas para apoiar a estratégia de manejo dos produtores.
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